Identificar em si o que do outro não é seu, e não sentir-se culpado por isso. É realmente frustrante se deparar com situações que nos colocam a prova. Observar as reproduções que estão sendo projetadas é uma maneira de se vê, de longe, e assim se enxergar melhor.
Não estamos imunes a reproduções de padrões coloniais, isso se expande ainda mais quando nos relacionamos.
Conceber o desejo do outro como algo sujo, errado, desrespeitoso e usar argumentos que mais assemelham-se ao conceito de “castidade”, ou seja, que estabelece um símbolo de fidelidade cristã para obter domínio, controle e poder, é tão absurdo.
~ aparentemente é fácil na teoria, mas na prática essa questão atravessa camadas traumáticas até ~
E é exatamente nesse ponto que precisamos despertar. Não se entregar a escassez. Reconhecer que tem coisas que irão nos incomodar, aliás, incomodam, portanto, o que é ferida em nós pode machucar outras pessoas e as vezes não sabemos sequer administrar esse sentimento. Localizando uma contradição entre cuidado e superexposição do que é realmente nosso enquanto história, e o que é contexto enquanto histórico. São percepções equivocadas sobre a profundidade das nossas chagas, por assim dizer, que determinam o quão fragilizados estamos. Dá vazão para o que vem e deixar ir o que não nutri.
Por isso ter atenção:
Não é sobre o desejo da outra pessoa, é como você lida com as ambivalências emocionais que te acompanham.
Não é sobre não ficar com outras pessoas, é sobre o que você gostaria de descentralizar na relação.
Não é sobre amor, mas ainda sobre amor, é aprender a não manufaturar esse afeto.
~ doloroso atirar sal na ferida, por isso, lamber-las antes de pensar em responsabilizar outra pessoa. ~
Vasculhar o que desmantela emocionalmente e ajustar a intensidade das reações, afinal, ainda que a pessoa que você se relacione, deseje, queira, beije, transe, apaixone-se, ame outras pessoas além de você, é necessário garantir que o seu mundo não vai desmoronar. A melhor forma de fazer isso é fortalecer sua mente, não ser cativa a pensamentos de comparação ou qualquer mentira que você conta pra si, afim de justificar comportamentos que foram capturados durante as travessias. Não terceirizar autoestima, confiar sobretudo que o seu “tudo” não é o outro.
Percebo que o amor tem me deslocado para um âmbito mais paradoxal do que imaginei e com certeza estou em desamparo agora. Sempre soube que o amor era algo incondicional, as vezes até indizível, mas recentemente percebi que o amor pode ser salobo, como as águas de um mar que adentra ou saem do rio: talvez em correntezas desesperadoras, mas na maior parte do tempo, o amor é vagaroso, com texturas e cheiros que se misturam, compondo rotas nas encruzilhadas.
Amar é sobre ter consciência do que é nosso em essência e as variações complexa das incongruências, sem previsões fatalistas, sem redomas atribuídas de falso cuidado, ou de moralismo, esse efeito hegemônico cristão.
~ Amar é um músculo, é urgente fortalecer-lo se quisermos que ele cresça robusto e saudável. ~