quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Rugar

Quero viver sem pensar em um abrigo 
nenhum lugar
as vezes eu contorno a mesma rua 
pra tentar chegar aqui

Percebo que me perco 
caminho mesmo tem que se fazer sozinho 
a gente é sozinho 
não tem pra onde correr 

sei desde quando compreendi que tudo 
absolutamente tudo 
vai acabar caindo num buraco profundo onde a imensidão do que a gente sabe até agora não significa nada 

É um cruzo 
possibilidade
é um cruzo

Eu posso querer o invisível?
sentir e ainda não considerar o fato da existência 
com algo que se determina a partir do que se vê e
portanto 
É absurdo não querer o invisível

O que não se toca
O medo das coisas

E o tempo que cava na minha pele marcas
que se perpetuam durante a virada dos anos

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