Meu sussurro na noite
é oração despercebida
Tenho dentro de mim
vontade incessante
não preciso de briga
Ando pela avenida sem pressa
corro devagar sem recaídas
Adormeço no fundo,
Meu coração profundo
É beco sem saído
Aprendo a viver com
a criança que me deu a vida
E com amor, nutrindo cada
partilha que se revela na lida
Nunca pensei tanto sobre tudo
e acabo voltando a ser mudo
no momento constante do
puro absurdo em que minhas
mãos tocam no escuro
O pelo
A cerne
do teu coro cabeludo
Fazendo tudo existir no breu
amor
sexo
face
sentimento que arde enquanto
minha fé peleja nesse mundo ateu
Caminhando percebo o quanto perdi
no tempo querendo correr correr correr
para lugar nenhum achar e quando olho
o tanto que andei até aqui, sinto vontade
perene das lesmas nesse período
invernoso: parar de fato, reparar na parte
de dentro o oco, o escuro a finidade complexa
que nos torna humanos.
E retornar a beleza do amor as pequenas coisas
Sim, talvez eu tenha perdido, no mesmo caminho,
essa lente, mas que agora, não tardo encontrar:
Na mãezinha que chora com medo da solidão
no olhar silencioso de meu pai e nas mãos calejadas
de minhas irmãs e irmão.
Por um instante achei que tinha perdido o tempo
correndo correndo correndo correndo correndo
E não, tudo está exatamente aqui, em
Minhas mãos