quinta-feira, 14 de maio de 2026

Em minhas mãos

Meu sussurro na noite 
é oração despercebida 
Tenho dentro de mim
vontade incessante 
não preciso de briga

Ando pela avenida sem pressa
corro devagar sem recaídas 
Adormeço no fundo, 
Meu coração profundo 
É beco sem saído 

Aprendo a viver com 
a criança que me deu a vida 
E com amor, nutrindo cada 
partilha que se revela na lida 

Nunca pensei tanto sobre tudo 
e acabo voltando a ser mudo 
no momento constante do
puro absurdo em que minhas 
mãos tocam no escuro 
O pelo
A cerne 
do teu coro cabeludo 

Fazendo tudo existir no breu 
amor 
sexo 
face 
sentimento que arde enquanto
minha fé peleja nesse mundo ateu 

Caminhando percebo o quanto perdi
no tempo querendo correr correr correr 
para lugar nenhum achar e quando olho 
o tanto que andei até aqui, sinto vontade 
perene das lesmas nesse período 
invernoso: parar de fato, reparar na parte 
de dentro o oco, o escuro a finidade complexa
que nos torna humanos. 

E retornar a beleza do amor as pequenas coisas
Sim, talvez eu tenha perdido, no mesmo caminho,
essa lente, mas que agora, não tardo encontrar:

Na mãezinha que chora com medo da solidão
no olhar silencioso de meu pai e nas mãos calejadas
de minhas irmãs e irmão. 

Por um instante achei que tinha perdido o tempo 
correndo correndo correndo correndo correndo 
E não, tudo está exatamente aqui, em 
Minhas mãos 








 

Em minhas mãos

Meu sussurro na noite  é oração despercebida  Tenho dentro de mim vontade incessante  não preciso de briga Ando pela avenida sem pressa corr...