sábado, 25 de junho de 2022

O atlântico me agonia

Líquido que ameniza, mas não cura.
Queria não vê, sequer tocar ou desejar. 

Observo os movimentos das pessoas-marés e 
controlando a saída de ar para não faltar na próxima braçada, 
continuo vagarosa nesse oceano a minha procura. 

Debruço nos versos em ninharias e ainda assim 
dizem que minha escrita densa parece tristeza. 

E se for? 
Pode uma mulher-homem-mulher falar sobre as 
tristezas que se fundem a tantos caminhos? 
Ou devo apenas ficar de pé, cansada,
sobre os cacos equilibrando minha cabeça?

Parece que esse choro não é meu.
Sinto e aqui deságuo.

A travessia do atlântico me agonia 
A travessia do atlântico me agonia 
A travessia do atlântico me agonia 

 

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