Me invadem as causas raivosas dos que pelejam
comer o pão e só tem cachaça pra embriagar-se e
dormir. Percebo que nas favelas quem grita não
é a polícia (também) mas há famintos de justiça
que gritam em uníssono para ninguém escutar.
Escuuuta
Ecoar nos meus ouvidos uma música lenta
que leva pra dentro das casas enlodada da chuva
um breve murmurinho de que tudo vai passar
despercebido num piscar de olhos, olhos de crianças.
E não passa...
A música
Percebo a escuridão ao fechar os olhos.
Os risos em volta incidem um largo choro.
Um tiroteio rasga as risadas, o aperreio:
Da ausência dos filhos de uma mãe...
-Cadê o meu menino?
-O meu neguim?
-Cadê sua chinela e suas moedas?
-Onde foi parar o seu olho?
-Quem levou o seu riso?
Em cortejo ao cemitério.
Nós somos vítimas da polícia
do berradeiro que cala a nação.
Do balado do sino da igreja em
que os esfomeados agonizam sem
perdão.
Somos o choro que não cessa das mães calejadas de sofrer!
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
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