quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Entrou uma carta dentro da garrafa escrita assim:

Não me deixe embolar a língua e perder a calma
que em meus dedos surge aos poucos.

Sonha comigo nos dias bons para que naqueles
de luz amena a penumbra do amanhecer devolva
esperança que o passado já trazia nos braços como
um filho imaturo.

Conduza sóbria a nau do meu coração, e deixe-o
descansar em seu colo macio, toda desilusão que
o mar não afogou.

Permita que a ternura lhe segure as mãos,
mas não ponha os pés na dor que surge da imensidão
infindável dos desejos construídos na areia da praia.

Eu vos quero como quem não quer mais nada. Igual
a semente que cresce sem algoz; semelhante a doçura
dos dias frios e grandioso como a quintura das noites.

Carrego para ti a minha pequenina moeda de cinco centavos
que sempre acho, para que a sorte chegue como gratidão.

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