quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Mãos negras

Um vestido florido lindo
Nas costas uma mochila quase velha
Segurava um copo descartável de 500ml

O pedido
Uns trocados
As penas magras
Boca banguela

Deus abençoa mesmo assim!
Nas mãos transitava um cajado
Como quem fosse bater
Era raiva?
Como quem fosse abrir um caminho

Se apoiava quase fraca

A firmeza das mãos e do olhar me rasgava...
Na próxima parada fora elogiada e nada lhe davam...
Seguia buscando, dizendo: conseguir o da noite...

O corpo lânguido
Pêndulo
Trêmulo
Lento.

A imagem
repetida na memória
Hiato
Tristeza repenti na
Rua desguarnecida.
Estou esgotada!

É quase audível o tintilar
Mas no copo
No corpo a vagar, nada.
Velha negra
Não tem missa

Peço a deusa ou deus, universo ou sei lá
Que algum lugar, nalgum dia, meus olhos
Parem de suar
e a senhora alcance o pedido:
conseguir o da noite...





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