A tarde era quente como uma panela de pressão que explodia e resvalava cheiro e textura aos corpos transeuntes. O sol é um ingrediente salgado e oleoso que faz escorrer através dos póros a latência do existir.
Dentro dos costumes diários: o desfastio. A vontade era desbravadora diante as ruas que cortavam-se e um novo caminho se via de longe, quando descia no horizonte aquele imenso raio.
De noitinha já.
O nosso parto aconteceu na chuva
Sem menções religiosas ou luvas
Meu coração unia-se as tuas curvas
Nas encruzilhadas, lumbras
Toda rua era turva
Minha língua; tua vulva
Você me olhava; eu trovejava
Descia lúcida na avenida curta
Sobre nós as gotas mútuas
De um dilúvio inesperado
Um carinho abandonado
e tuas mãos no pescoço
Era um alvoroço dentro de mim
Que eu quase morro
Quase morri
Quase fiquei rouca
Por instantes pensei que estava louca
Mas não, era só o regozijar do trovão
As minhas pernas bambas de te levar
Ou era tu a me guiar pelo labirinto do centro da cidade?
Eu não sei!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Não é sobre amor, mas ainda sim sobre amar
Identificar em si o que do outro não é seu, e não sentir-se culpado por isso. É realmente frustrante se deparar com situações que nos coloca...
-
penso em escrever no contorno dessas linhas a tensão que o verbo existir me causa. o humaninho idiota como eu que passa o dedo na tela, na i...
-
Nas vielas do pensamento nenhum alento tudo correndo lento aqui por dentro Falo o que penso Caminho atento Não tenho sossego As coisas ...
-
Continuo nutrindo paixões efêmeras que não duram sequer 1 mês completo e isso tem me mantido viva por muito tempo em imaginários. A coisa ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário