quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

humaninho que sou

penso em escrever no contorno dessas linhas a tensão que o verbo existir me causa. o humaninho idiota como eu que passa o dedo na tela, na insignificância das coisas fúteis que reverberam enxames variados cheios de fúria e tesão, na sua pequenez, lascívias corrompidas, estúpidas, sórdidas, fétidas, grudenta e que a terra comerá. 

penso porque não consigo formular algo que destrua todas as células cancerígenas que o humaninho que sou, na busca impiedosa por saber, desejo e fé, sim a fé, dos livros das crenças do ódio ao diferente, da verdade infundada onde a tristeza habita e as moscas põem seus ovos que geram novas doenças e se alimentam de nós. 

hoje mesmo estava chorando pela morte de um porquinho, predado em sua juventude, mas não dispenso nem suas vísceras em um dia de churrasco. poderia ser mais consciente e resistente, porém questiono: que diferença faz a porra da minha escolha diante dos inúmeros casos de morte de porcos no mundo inteiro? 
ainda sim penso em consumir menos. 

a gente muda ou nada muda ao nosso redor e assim vivo nesse mundinho, sendo egoísta e querendo ter reparação porque sou negra né… foda-se… não quero reparação, quero a extinção humana, a nossa destruição por completo, porque não há na fase da terra, pessoas que sejam boas, não existe! 

as vezes eu digo: tem que levar saúde, cultura, dignidade para todo lugar, pois não dá pra viver em condições precárias, isolados, precisamos precisamos necessitamos necessitamos vamos ocupar ocupar ocupar. 

dá em nada.

esse papo que fico tendo comigo mesma e com alguns sobre essas tragédias monetizadas a toda e qualquer propagandazinha, cartãozinho de crédito, pix e os caralhos é só uma hipocrisia. o ser humaninho que sou em egoísmo. eufemismo, parasita, narcisista, quero ser mais porque sei algo, me deparo que não sou, sinto inveja. 

o porco que morre no abate sou eu! 

na tentativa de melhorar, culpabilizo uma realidade que não vivi. meu pai, minha mãe, minha família, a igreja, a escola, os amigos, as escolhas. uma competição para saber quem tem mais responsabilidade sobre a minha insatisfação emocional espiritual e carnívora. 

imagino não viver… mas toda vez que sinto dor é como se todo esse texto fosse uma mera ilusão, e o sopro da vida me conduzisse a querer correr, movimentar a engrenagem assim como o hamster preso na gaiola.


domingo, 2 de novembro de 2025

Justiça

Como é viver sem existir? 
A título de quem nos fizeram 
acreditar na nuance do gêneses? 

Sobressalta a memória dos confins 
da terra em um mar de larva infinita. 
Nós a deriva do fim! 

Quero desver o passado doloroso
Pois atravessam impunemente os maldosos 
E então se fazer mal pode ser mau
é que coragem para vingar é nosso bem maior!

É necessário atiçar o que está escondido 
Preparar-se para revelação
Enxergar a chaga
Cortar a raiz podre

Ser feliz de verdade!




segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Aprendendo a nadar

Fecho os olhos 
Respiro fundo 
Mergulho 

Fecho os olhos 
Respiro fundo 
Mergulho 

Fecho os olhos 
Respiro fundo 
Mergulho 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Rugar

Quero viver sem pensar em um abrigo 
nenhum lugar
as vezes eu contorno a mesma rua 
pra tentar chegar aqui

Percebo que me perco 
caminho mesmo tem que se fazer sozinho 
a gente é sozinho 
não tem pra onde correr 

sei desde quando compreendi que tudo 
absolutamente tudo 
vai acabar caindo num buraco profundo onde a imensidão do que a gente sabe até agora não significa nada 

É um cruzo 
possibilidade
é um cruzo

Eu posso querer o invisível?
sentir e ainda não considerar o fato da existência 
com algo que se determina a partir do que se vê e
portanto 
É absurdo não querer o invisível

O que não se toca
O medo das coisas

E o tempo que cava na minha pele marcas
que se perpetuam durante a virada dos anos

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Desejo laço 
apertado, frouxo, isolado 
nem todos, digamos que o mais fraco 
desejo é inabalável 

Lanço-me ao mar!
sua correnteza durante as subidas 
de maré em maré afugentam o medo. 

O desejo continua pleno 
arde manso; engulo inteiro 

imagino lambendo 
contorcendo, melado
afiando os dentes 

Desejo morde. 
salta os olhos 
adverte o sentido ao toque
frágil: a maciez do lábio. 

Então retorno cansado 
desapego do engano 

O desejo é quimera 
durmo e penso que 
posso tocar-lo 

Ninguém me vê 




quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Miudinho

Nas vielas do pensamento 
nenhum alento 
tudo correndo lento
aqui por dentro

Falo o que penso 
Caminho atento 
Não tenho sossego 
As coisas vão se acabar:

O mundo o dinheiro o apego

Permanece o amor ao invisível 
tipo sentimento que povoa 
o que a guerra dizimou 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Me atormentam as vozes do passado.
Ando por essa cidade com vontade de esquecer
razões pelas quais não fazem sentido algum. 
Como explicar ou decifrar as sinapses, quando 
elas são tão ligeiras e essas pequenas explosões 
me deixam atônita, sempre veloz pelas ruas

Tenho buscado colidir em conversas que não
falem sobre cotidiano ou qualquer assunto 
vil dessa geração. Então estou andando só! 

A maioria dos dias estão passando sem que 
aconteça um esbarro no olhar de alguém e 
aquela sensação do corpo estremecendo, 
expandindo, desafiando as linhas da paixão. 

Ou melhor, fazer durar algo é extraordinário 
necessário, e não falo sobre o quão breve é 
a rotina espaçada em que os corpos tem a 
se desfazer, não. 

Preso

O cão em prantos ao lado  a solidão e a tristeza da corrente  em seu pescoço; tentativa de fuga ou um carinho qualquer…  Pela combobó observ...